há uma loba solta no vento
faminta e sedenta de sangue,
cruzando escarpas e vales afins
na incessante busca da presa.
seu sortilégio? sacia a fome,
mas não a vontade - a busca segue!
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
terror
corri descalço
na areia olhando o
sol, belo e vivo,
queimando mundo.
os pés afundam
na terra imunda
de lodo e suor,
de medo e ira.
que se afastem
os monstro daqui,
que me deixem!
que se afastem
os santos daqui,
que se deitem!
na areia olhando o
sol, belo e vivo,
queimando mundo.
os pés afundam
na terra imunda
de lodo e suor,
de medo e ira.
que se afastem
os monstro daqui,
que me deixem!
que se afastem
os santos daqui,
que se deitem!
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
ébrio
ah, esse vinho!
me roda a cabeça
no seu travo amargo
e frio.
frio que regela a alma
e a minha solidão sorri embreagada.
o grito morreu seco na garganta
adeus!
bebo este cálice e durmo!
me roda a cabeça
no seu travo amargo
e frio.
frio que regela a alma
e a minha solidão sorri embreagada.
o grito morreu seco na garganta
adeus!
bebo este cálice e durmo!
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
...
teus olhos,
indecifráveis castanhos,
que me dizem eles?
me puxam, atraem, mas se escondem,
fogem de mim mesmo me chamando.
não entendo
e morro de ansiedade e desejo.
termino assim minhas noites:
na solidão de minha cama
montando lembranças e sensações que não tive.
indecifráveis castanhos,
que me dizem eles?
me puxam, atraem, mas se escondem,
fogem de mim mesmo me chamando.
não entendo
e morro de ansiedade e desejo.
termino assim minhas noites:
na solidão de minha cama
montando lembranças e sensações que não tive.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
ela
vi em teus olhos um enigma.
talvez fosse cansaço, impaciência,
mas o teu olhar parecia perdido em nebulosas.
um contido pedido de socorro (talvez não)
pode ser minha imaginação voando
perdido nas curvas de teu corpo.
contemplei teu rosto de delicados traços, belos cabelos.
confesso que meu olhar buscou seu decote,
mas fascinou-me mais o seu mistério,
o teu olhar perdido na espera e a simplicidade no ajeitar de suas mechas.
desci, você seguiu em frente,
ficou o enigma
06.12.06
talvez fosse cansaço, impaciência,
mas o teu olhar parecia perdido em nebulosas.
um contido pedido de socorro (talvez não)
pode ser minha imaginação voando
perdido nas curvas de teu corpo.
contemplei teu rosto de delicados traços, belos cabelos.
confesso que meu olhar buscou seu decote,
mas fascinou-me mais o seu mistério,
o teu olhar perdido na espera e a simplicidade no ajeitar de suas mechas.
desci, você seguiu em frente,
ficou o enigma
06.12.06
terça-feira, 3 de novembro de 2009
apanhador de sonhos
passeio pelas ruas recolhendo cacos de mim
sem jamais conseguir reuni-los todos,
sempre faltando um pedaço.
meu brilho será fosco,
a superfície sempre enrugada,
o olhar míope, a voz um pouco rouca
e os pensamentos são fragmentos.
não quero me perder em detalhes:
o todo é complexo demais.
sou fragmentos reunidos de um ser humano
em busca pela unidade:
missão impossível.
nos intervalos, continuo retirando o pó dos livros,
velhos companheiros de um tempo que não volta.
olho para mim e não sei o que vejo,
olho para o horizonte e não sei o que espero,
olho para trás e encontro a saudade.
em:06/06/2006
sem jamais conseguir reuni-los todos,
sempre faltando um pedaço.
meu brilho será fosco,
a superfície sempre enrugada,
o olhar míope, a voz um pouco rouca
e os pensamentos são fragmentos.
não quero me perder em detalhes:
o todo é complexo demais.
sou fragmentos reunidos de um ser humano
em busca pela unidade:
missão impossível.
nos intervalos, continuo retirando o pó dos livros,
velhos companheiros de um tempo que não volta.
olho para mim e não sei o que vejo,
olho para o horizonte e não sei o que espero,
olho para trás e encontro a saudade.
em:06/06/2006
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
dona da noite
senti brotar em mim toda a fome do mundo.
roía meus ossos, dilacerava minhas carnes,
ensandecia meu juízo.
essa fome, esse vázio absurdo do mundo,
me conduz ao caos,
ao desespero e a dor.
queria poder comer,
mas meus dentes dóem,
meu estômago embrulha e minha boca seca.
essa fome não se sacia,
essa fome mata-se por si somente
junto a vida do vivente.
essa fome danada,
simplesmente fome,
é por ti dona da noite enluarada.
roía meus ossos, dilacerava minhas carnes,
ensandecia meu juízo.
essa fome, esse vázio absurdo do mundo,
me conduz ao caos,
ao desespero e a dor.
queria poder comer,
mas meus dentes dóem,
meu estômago embrulha e minha boca seca.
essa fome não se sacia,
essa fome mata-se por si somente
junto a vida do vivente.
essa fome danada,
simplesmente fome,
é por ti dona da noite enluarada.
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